domingo, 30 de agosto de 2026

 

    Então, vou contar nessa crônica a história do meu livro Filosofia de Juçui, que já está registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, mas que ainda se encontra na fase de edição, à espera de uma editora.

    Na verdade, porém, o livro Filosofia de Juçui já encontrou uma forma de circular, pois foi fragmentado em minibooks — e mais de 40 mil caderninhos foram vendidos diretamente ao leitor para sustentar um projeto voluntário numa escola pública de Juiz de Fora, MG.

    Eu sempre gostei de escrever e, em 2010, comecei a aprender computação numa lan house, porque não tinha computador. A primeira coisa que fiz foi criar um blog para não perder o interesse e o intitulei Filosofia de Juçui, já que Juçui é um heterônimo que me persegue sem parar.

    Em Filosofia de Juçui, eu escrevo aforismos filosóficos que andam de mãos dadas com a poesia, já que ambas vêm das profundezas do espírito humano e podem provocar revoluções em nossas sociedades.

    Em 2012, eu fui candidata a vereadora e fracassei. Aí pensei: não preciso ser vereadora para escrever um projeto para a educação. E foi o que fiz. Escrevi um projeto que, mais tarde, dei o nome de Guardiões da Poesia.

    Esse projeto é inspirado no filme Sociedade dos Poetas Mortos, que acredita ser — a poesia — ferramenta de humanização na educação, e no Übermensch, de Friedrich Nietzsche, que trabalha aquele super-herói que nos habita, criando seus próprios valores e vivendo uma vida autêntica e significativa.

    Tal projeto apresenta, além do Carpe Diem, um código de conduta que, de um jeito não ortodoxo, trabalha, coletivamente, as questões emocionais dos alunos, com técnicas voltadas para o autoconhecimento, a autoestima e a respiração que, juntas, ajudam o Übermensch a sair da caverna de Platão.

    Pois bem, apresentei o meu projeto para duas câmaras de vereadores e foi bem sucedido, mas logo caiu nas gavetas pois faltou tecnologia.

    Esse projeto é uma reivindicação minha, pessoal, pois tive uma educação muito difícil. Cresci num ambiente de alcoolismo, muito violento, e acho que a escola é um ambiente que pode nos aliviar com propostas conviviais e de respeito pela vida humana. É por essas e outras razões que penso que a profissão docente é muito importante e exige talento e muita criatividade.

    Em 2020, com a pandemia, o projeto parou e agora só existem o blog Guardiões da Poesia e as declarações da escola. Mas eu continuo com os minibooks nas ruas, de forma independente, e pretendo me dedicar a essa filosofia até o fim dos meus dias.

    A Filosofia de Juçui é a minha segunda gravidez e merece o mesmo respeito que a primeira, pois ambas vieram do infinito e mexeram com a minha potência de existir. A humanidade mascara a existência humana com patrimônios materiais, falsos relacionamentos e tenta fazer da vida um teatro falso e leviano, mas a existência humana é muito mais que isso, e as revoluções só vão acontecer quando o observador furar a bolha com um novo vocabulário que pode ser a poesia. Essa é a minha celebração diária proporcionada pela Filosofia de Juçui.


“As armas sempre venceram as guerras, mas a verdadeira revolução começa na educação.” Juçui