Então, vou contar nessa crônica
a história do meu livro Filosofia de Juçui, que já está
registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, mas que ainda se
encontra na fase de edição, à espera de uma editora.
Na verdade, porém, o livro
Filosofia de Juçui já encontrou uma forma de circular,
pois foi fragmentado em minibooks — e mais de 40 mil caderninhos
foram vendidos diretamente ao leitor para sustentar um projeto
voluntário numa escola pública de Juiz de Fora, MG.
Eu sempre gostei de escrever e,
em 2010, comecei a aprender computação numa lan house, porque não
tinha computador. A primeira coisa que fiz foi criar um blog para não
perder o interesse e o intitulei Filosofia de Juçui, já
que Juçui é um heterônimo que me persegue sem parar.
Em Filosofia de Juçui,
eu escrevo aforismos filosóficos que andam de mãos dadas com a
poesia, já que ambas vêm das profundezas do espírito humano e
podem provocar revoluções em nossas sociedades.
Em 2012, eu fui candidata a
vereadora e fracassei. Aí pensei: não preciso ser vereadora para
escrever um projeto. E foi o que fiz. Escrevi um
projeto para a educação que, mais tarde, dei o nome de Guardiões da Poesia.
Esse projeto é inspirado no
filme Sociedade dos Poetas Mortos, que acredita ser — a poesia —
ferramenta de humanização na educação, e no Übermensch, de
Friedrich Nietzsche, que trabalha aquele super-herói que nos habita,
criando seus próprios valores e vivendo uma vida autêntica e
significativa.
Tal projeto apresenta, além do
Carpe Diem, um
código de conduta que, de um jeito não ortodoxo, trabalha,
coletivamente, as
questões emocionais dos
alunos, com técnicas
voltadas para o autoconhecimento, a
autoestima e
a respiração que,
juntas, ajudam o Übermensch a sair da caverna de Platão.
Pois bem, apresentei o meu
projeto para duas câmaras de vereadores e foi bem sucedido, mas logo
caiu nas gavetas pois faltou tecnologia.
Esse projeto é uma reivindicação
minha, pessoal, pois tive uma educação muito difícil. Cresci num
ambiente de alcoolismo, muito violento, e acho que a escola é um
ambiente que pode nos aliviar com propostas conviviais e de respeito
pela vida humana. É por essas e outras razões que penso que a
profissão docente é muito importante e exige talento e muita sensibilidade.
Em 2020, com a pandemia, o
projeto parou e agora só existem o blog Guardiões da Poesia e as
declarações da escola. Mas eu continuo com os minibooks nas ruas,
de forma independente, e pretendo me dedicar a essa filosofia até o
fim dos meus dias.
A Filosofia de Juçui é
a minha segunda gravidez e merece o mesmo respeito que a primeira,
pois ambas vieram do infinito e mexeram com a minha potência de
existir. A humanidade mascara a existência humana com patrimônios
materiais, falsos relacionamentos e tenta fazer da vida um teatro
falso e leviano, mas a existência humana é muito mais que isso, e
as revoluções só vão acontecer quando o observador furar a bolha
com um novo vocabulário que pode ser a poesia. Essa é a minha
celebração diária proporcionada pela Filosofia de Juçui.
“As armas sempre venceram as
guerras, mas a verdadeira revolução começa na educação.”
Juçui